Qual a diferença entre transtorno de ansiedade generalizada e ansiedade social?

Qual a diferença entre transtorno de ansiedade generalizada e ansiedade social?

Os transtornos de ansiedade compreendem um grupo de distúrbios psiquiátricos ligados a uma exacerbação da sensação de ansiedade. É o caso do transtorno de ansiedade generalizada e da ansiedade social. Apesar de ambos serem transtornos crônicos e disfuncionais, com grandes riscos à qualidade de vida dos pacientes se não forem tratados, existem diferenças significativas entre eles.

Transtorno de ansiedade generalizada é marcado por excesso de preocupação no dia a dia
“O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é caracterizado por preocupações excessivas com situações do dia a dia, como trabalho, família e dinheiro, superestimação dos riscos e sentimento de incapacidade de lidar com qualquer coisa de maneira eficaz”, afirma a psiquiatra Mônica Melo. Questões simples, como ter que ir ao banco, se tornam um verdadeiro pesadelo para um paciente com a doença.

Além da dificuldade de controlar as preocupações, o portador de transtorno de ansiedade generalizada, frequentemente apresenta irritabilidade, insônia, dificuldade de concentração e alguns sintomas físicos, como fadiga, dores no corpo, tensão muscular, tontura, boca seca, náusea, diarreia, desejo frequente de urinar, mãos úmidas e frias e sudorese.

Ansiedade social pode provocar o isolamento do paciente
Já a ansiedade social, chamada também pela sigla TAS, é caracterizada pela presença do medo de situações sociais embaraçosas, de ser julgado e humilhado. “O portador costuma desenvolver estratégias para evitar tais situações ou tentar suportá-las, podendo apresentar rubor facial, tremor das mãos e da voz, tiques nervosos, ‘branco’ quando está falando, náusea, urgência em urinar, sudorese e taquicardia”, explica a especialista.

O medo excessivo de ser avaliado negativamente por outros, pode levar o indivíduo com ansiedade social a ter menos relacionamentos amorosos e menos sucesso na carreira, além de aumentar as chances de depressão e tentativas de suicídio. Já no quadro de TAG, as preocupações levam o paciente a beber, fumar e comer mais, adiar atividades ligadas ao trabalho e aos amigos e reduzir sua vida social.

Em termos de tratamento, os dois transtornos apresentam várias semelhanças e devem ser abordados com medicações e outras medidas, como psicoterapia. A terapia cognitiva comportamental é uma abordagem com excelentes resultados e utiliza técnicas de relaxamento e psicoeducação. Mudanças de hábitos, como a higiene do sono e a prática de atividades físicas, também costumam ser úteis.

Dra. Mônica Melo é psiquiatra, graduada em Medicina pela Universidade Católica de Brasília e especialista em Terapia Cognitiva Comportamental pelo Instituto de Psiquiatria da USP. CRM-DF: 16685

Publicado em 28/02/2018 06:08 – Atualizado em 04/04/2018 09:32